Gentil Barreira e o Sertão dentro de si…
Gentil Barreira começou a fotografar aos 12 anos e nunca mais parou. Esta paixão marcou o menino que atravessou a adolescência com uma câmera colada ao corpo e um laboratório fotográfico instalado em casa por ele próprio. O pequeno aprendiz nunca duvidou: a fotografia era o seu horizonte.
Vocação lapidada no sol a pino cearense, Gentil Barreira aprendeu cedo a lidar com a intensa luminosidade local, tendo-a como fonte, aliada e professora. Tanto que o fotógrafo de campo não perde para o artista do estúdio. E vice-versa. O seu olhar afiado é fruto da dedicação do profissional em tempo integral. Além do seu evidente talento. Com uma rica trajetória – é valiosa a sua contribuição, tanto no campo da publicidade, da moda, como da arquitetura e da fotografia artística – Gentil Barreira é um artista engajado também na defesa da linguagem fotográfica como objeto artístico. Foi ele o primeiro a impor a inclusão da Fotografia no Salão de Abril, em Fortaleza, insistindo em inscrever obras suas, em repetidas edições deste salão.
O sertão, esse lugar mágico no Nordeste brasileiro e parte de Minas Gerais, é marcado pelas longas estiagens, pela temperatura elevada e pela vegetação da caatinga. É o chamado interior, dito assim por que está longe da borda do mar, perto das brenhas, no “mato”. Sua paisagem é enxuta, horizontal e solar. Se não chove ele é o “sertão sofredor”, se chove, ele logo se transforma em viço, fartura, belezura. O sertão depende de chuva para ser feliz. A sua condição de “desertão” (esta a suposta origem de sua denominação) guarda os mistérios e os segredos de sua civilização própria. Não por coincidência, o escritor Guimarães Rosa – grande intérprete do sertão, e o poeta Patativa do Assaré, seu grande trovador, chegaram a um consenso sobre o estar no mundo do sertanejo. Ambos admitiram em contextos diversos, e disseram a mesma frase lapidar: “Moro no sertão, e o sertão dentro de mim”. Gentil Barreira deixou-se arrebatar pelo sertão quando criança, nas férias escolares, na fazenda do avô, na Região dos Inhamuns.
Nesta virtuose série “Coração Sertão”, vivenciamos o miraculoso encontro do menino-fotógrafo com a paisagem do seu encanto. Na flor da maturidade, Gentil Barreira deixa claro que por trás do seu olhar forte e vibrante, pulsa um coração marcado a ferro e fogo.
Dodora Guimarães Esmeraldo
2014 – Coração Sertão. Mostra individual, Imagem Brasil Galeria. Fortaleza, CE
2014 – Coração Sertão. Mostra coletiva, Festival Encontros da Imagem, Braga, Portugal
2014 – Coração Sertão. Mostra individual, Feira Fotografar – Fórum FineArt, São Paulo, SP
2016 – Coração Sertão. Mostra coletiva, Festival Outono Fotográfico, Corunha, Galícia
2018 – Sobre a cor da sua pele. 2018. Mostra coletiva, Festival Solar. Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza, CE
2020 – Coletiva do acervo. Museu da Fotografia de Fortaleza, Fortaleza, CE
2024 – Ali onde as imagens são o nome das coisas. Exposição coletiva, Festival Solar, Fortaleza, CE
Coleções e Acervos
Casa da Imagem. Braga, Portugal
Coleção Joaquim Paiva. Rio de Janeiro, RJ
Coleção MAM. São Paulo, SP
Acervo Museu da Fotografia. Fortaleza, CE
Acervo Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, CE
Publicações